quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Ford Del Rey: Questão de Requinte.


Autor deste blog, me chamo Amarildo Mayrink, moro em Bicas – MG e sou proprietário do DEL REY ano 90 1.8 Ghia azul que ilustra a segunda postagem aqui no blog. Foi justamente este carro que me levou a criar um novo espaço destinado a preservar a história do Ford Del Rey, um dos mais belos, luxuosos e completos (para a época) veículos já fabricados no Brasil. 
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A história deste clássico da indústria automobilística brasileira teve início no princípio dos anos 80.  Diante dos altos preços dos combustíveis no Brasil, vivíamos o fim da era dos carrões de luxo, onde apenas o Opala Diplomata conseguiu resistir por mais alguns anos. A Ford entendeu que era necessário lançar um novo modelo para substituir o velho Landau V8, modelo-evolução dos LTD e Galaxie. Um carro que aliasse motor econômico e porte de carro médio à beleza, ao luxo e ao conforto. Ela já possuía no mercado o belo Corcel II, mas o modelo mais luxuoso, o LDO, ainda não apresentava equipamentos de luxo e conforto exigidos por uma ainda grande fatia do mercado dos carros de luxo.



Neste cenário, aliando economia e eficiência, a Ford lança em 1982, um dos mais belos e luxuosos carros nacionais: o Del Rey. Externamente, ele nada mais era que um Corcel II até a coluna central das portas, tendo como grande diferença sua grade frontal em frisos verticais cromados e um novo desenho da lanterna de sinalização. Da coluna central em diante, a equipe de projetos da Ford fez uma mudança significativa em toda a parte traseira do veículo, que passou a apresentar um corte radical na altura da coluna traseira, tendo sua tampa do porta-malas praticamente na horizontal, dando um visual belíssimo, que lembrava alguns modelos da Mercedes-benz da época, fazendo com que o Del Rey tivesse boa visibilidade para todos os lados graças também aos seus grandes vidros. O Del Rey Ghia era também um dos primeiros carros das grandes montadoras brasileiras a sair de fábrica com um belo jogo de rodas de liga leve.
Na parte mecânica, começou com o velho e econômico motor 1.6 de origem Renault, que já apresentava dificuldades para empurrar o Corcel II e teve mais dificuldades ainda no caso do Del Rey, que contava com equipamentos como direção hidráulica, ar-condicionado e opcionalmente o câmbio automático. A mudança para o motor Ford CHT, também 1.6 não surtiu o efeito desejado, mas o bom e confortável Del Rey continuava a agradar seu público cativo.
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Por dentro, a grande transformação! A palavra “requinte”, marca registrada das campanhas publicitárias do Del Rey, exprimia a mais pura verdade, principalmente para a época de seu lançamento, com acabamento interno extremamente refinado, bastante superior se comparado aos demais carros nacionais, mesmo nos dias de hoje. Destacava-se também pelo baixíssimo nível de ruído, graças à colocação de mantas fono-absorventes que envolviam todo o habitáculo do carro. Ou seja, um carro requintado, bonito e silencioso, o Del Rey Ghia – o top de linha - despertava furor quando passava.
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Painel belíssimo. À noite, iluminação indireta em tom azul, um de seus maiores atrativos.
O conforto era o principal cartão de visitas do Del Rey.


O painel surpreendia a todos com sua iluminação indireta – inédita para a época – com suas luzes iluminando o painel mais completo dos carros nacionais num belíssimo tom de azul, que iluminava uma grande quantidade de instrumentos. Era velocímetro, conta-giros, medidores de temperatura e de pressão do óleo, marcador de nível de combustível com luz de advertência quando entrava na reserva e oito luzes de advertência muito bem posicionadas num painel de fácil leitura. Porém o grande charme ficava com o relógio digital, também na cor azul, fixado no teto, logo à frente do motorista, trazendo também luzes de leitura individuais para motorista e acompanhante.

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O painel mais completo entre os carros nacionais da época.
Contorle remoto dos retrovisores externos.


Além de direção hidráulica e ar condicionado, o Del Rey Ghia contava também comando elétrico dos vidros, desembaçador elétrico do vidro traseiro, trava elétrica das portas através de comando na porta do motorista, cinto de segurança retrátil e inercial de três pontos com sistema de alívio de tensão, para-brisa laminado degradê e vidros climatizados. Com o passar dos anos, o Del Rey tornou-se ainda mais completo com a adoção de controles elétricos de regulagem dos retrovisores externos, encosto de cabeça nos bancos traseiros, direção hidráulica, controle elétrico de abertura do porta-malas, brake light, luzes de leitura individuais também para dois passageiros do banco traseiro dotado de um confortável apoio central de braços. A qualidade e a padronagem da forração dos bancos e da forração interna sempre foi de extremo bom gosto, característica Ford.

Interior extremamente confortável.
O charme do relógio digital, um luxo na época.


Com a criação da Autolatina – fusão da Ford com a Volkswagen – alguns carros da Ford passaram a receber o motor Volkswagen AP 1.8, um motor mais moderno, com 93 cavalos e potência 30% maior que o antigo motor Ford CHT 1.6. A Partir de 1989 o Del Rey recebeu este motor e a mudança transformou o sedã de luxo da Ford. O Del Rey tornou-se um carro ainda mais agradável de dirigir, aliando o já tradicional conforto ao desempenho e à segurança, já que sua suspensão recebera nova calibragem. As revistas especializadas da época mostravam em seus testes que o novo Del Rey 1.8 alcançava os 160 kn/h e acelerava de 0 a 100 Km/h em 14 seg.

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Motor AP 1.8, neste modelo 1990, a gasolina.
Após quase dez anos de produção no Brasil, o Ford Del Rey deixou de ser fabricado, sendo substituído pelo Versailles, na verdade, um VW Santana maquiado de Ford.
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4 comentários:

william silva disse...

Amarildo lindas fotos! Seu carro esta perfeito deve seu muito bom andar com um Del Rey com motor e principalmente o cambio VW ,que tem os engates precisos e macios coisa que não acontece já no Ford....Fantastico o carrão!

Flávio Monteiro disse...

Bela máquina , parabéns pelo trabalho. Tenho um Del Rey Escala Guia que estou restaurando, acho que é da mesma cor do seu carro. O seu carro é azul samoa?

Jorge Luiz Reis disse...

Um barato de carro!

Jorge Luiz Reis disse...

Esse carro é Show de bola.